Pela primeira vez em muitos anos, O Trem do Samba, evento oficial em comemoração ao dia nacional do samba não ocorrerá em 2019.
O anúncio foi feito pelo organizador Marquinhos de Oswaldo Cruz em suas redes sociais.
” Hoje venho dizer com muita dor que não terenos o nosso Trem do Samba esse ano.” Escreveu o artista.
O motivo: a falta de verba e apoio do governo.
O evento recriava o trajeto do sambista Paulo da Portela entre a Central do Brasil e o Bairro de Madureira onde morava. Para burlar a repressão policial na época em que o samba era proibido, o Trem era o lugar onde Paulo da Portela tinha liberdade para cantar seus sambas.
Muito mais que um símbolo de luta contra o preconceito com o ritmo que é a mais autêntica manifestação cultural brasileira, e que nos identifica no mundo sendo considerado patrimônio imaterial do país, o Trem do Samba ia além:
Reunia cerca de 100 mil pessoas, fomentava o turismo, recebendo pessoas de várias partes do país e do mundo, gerava mais de 1500 empregos a cada edição, além de preservar as formas de criar e fazer do nosso povo, incentivando e mantendo as nossas raízes culturais mais originais.
O samba é muito mais que um simples ritmo: faz parte da própria formação sócio-cultural do nosso povo. E, nas palavras de Marcos Garvey “Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes.”
Quanto mais alienado for o povo, quanto menos conhecimento ele tiver da sua própria história e daqueles que mostraram resistência contra opressões e discriminações, mais fácil será enganá-lo e dominá-lo . Este é o objetivo de todos aqueles que negam apoio a manifestações culturais autênticas que sobrevivem através dos tempos. O samba é símbolo de resistência histórica contra várias formas de discriminação: racial, religiosa, social. Sua força atravessa gerações. Não apoiar eventos como este, é claramente uma forma de tentar apagar da memória do povo, a sua capacidade de resistir e lutar. Lamentável.